Um fim de semana em... Fukuoka

Atualizado: 20 de ago.

Porta de entrada do país para a Ásia, a maior cidade do sul do Japão é vibrante, colorida e oferece um sem número de experiências gastronômicas interessantes


Vista noturna do Rio Naka (foto: Roberto Maxwell)

Fukuoka é uma das cidades japonesas que mais recebem turistas estrangeiros, mas raramente você vê ocidentais dando as caras por lá. Muito próxima da China e da Coreia do Sul, a cidade é historicamente um ponto de entrada no Japão para os vizinhos asiáticos. Por isso também, Fukuoka é mais cosmopolita que outras capitais japonesas e os moradores locais estão mais acostumados a lidar com gente de fora. Mesmo assim muitos estrangeiros, residentes no Japão ou não, ainda se perguntam o que é possível fazer na cidade.


Localizada no norte de Kyushu, uma das quatro principais ilhas do arquipélago japonês, Fukuoka não tem castelos preservados ou templos milenares ricamente adornados. Também não recebeu nenhum grande parque de diversão de marca internacional. Sendo bem honesto, a cidade não tem nenhum dos marcos que turistas mais típicos procuram: locais super instagramáveis que servem apenas para exibir a figura nas redes sociais.


Fukuoka é um destino para viajantes maduros — não de idade, diga-se, já que a vida noturna jovem pega fogo na cidade. Falo aqui de viajantes em busca de experiências, aqueles que querem viver o local ao invés de passar por ele somente para fazer check in. Além disso, Fukuoka é compacta o suficiente para que uma experiência de fim de semana seja completa, mesmo que deixe a gente com vontade de voltar. De preferência, o mais rápido possível.


sexta-feira

13:00 capuccino de porco

Hakata é a estação central do grupo JR em Fukuoka, de onde partem o trem-bala Shinkansen e os trens regionais. O entorno da estação é uma boa porta de entrada para a cidade. A menos de 10 minutos de caminhada da linha do trem, pela saída leste, fica a matriz do Hakata Issou. Ele é considerado um dos melhores restaurantes para provar uma iguaria local: o lámen do tipo tonkotsu, com a base da sopa feita com ossos de porco. Cria da cidade — e nomeada por lá de Hakata Ramen — a tigela costuma ter sabores fortes. No Issou, usam-se ossos de leitão que são cozidos em fogo alto por três horas. O resultado é um caldo cremoso, rico em colágeno, que ganha ainda mais sabor com o molho tarê feito com um blend de diversos tipos de shoyu produzidos na região. O negócio é tão encorpado que uma espuma se forma na superfície e, por isso, o lámen do Issou ganhou dos clientes fiéis o apelido de "capuccino de porco". A tigela completa, com ajidama (ovo cozido marinado), char siu (lombo de porco assado) e outros acompanhamentos sai por ¥930. O serviço é rápido, mas prepare-se para a fila.


O caldo espesso e espumado do Issou ganhou o apelido de "capuccino de porco" (foto: Roberto Maxwell)

14:30 zen

A Fukuoka que conhecemos hoje é uma cidade "dividida". O Rio Naka é a fronteira entre o que, até o século 19, foram duas entidades distintas: Hakata e Fukuoka, com a primeira tendo população um pouco maior que a segunda. Hakata era uma cidade portuária, de mercadores. Já Fukuoka era a sede do poder militar local e, portanto, uma área controlada por samurais. A fusão foi pacífica, exceto por um detalhe: no encontro para decidir o nome da nova cidade, Hakata tinha sido o escolhido, mas um grupo de samurais invadiu a reunião e forçou os votantes a mudar de ideia. Ainda assim, o nome não morreu: além de ser usado na estação central da cidade e no porto, Hakata também é uma das subdivisões de Fukuoka, correspondendo exatamente à área da antiga cidade portuária.


A oeste da estação central ficam alguns dos resquícios da antiga Hakata. Na entrada da "Cidade Velha" fica o Sennenmon, um portal de boas-vindas aos viajantes inaugurado em 2014. Nele foi esculpido, além de outros detalhes, o kenjogara, a estampa tradicional com influências budistas dos tecidos produzidos em Hakata.

Cinta para quimonos feita com o hakata-ori, a tecelagem tradicional de Fukuoka (imagem: PhotoAC)

Bem ao lado do portal fica o Jotenji, um templo budista quase sempre vazio, fundado por Enni Ben'en. Ele, que esteve na China no século 13, trouxe de lá além de ensinamentos do zen, uma série de técnicas gastronômicas. A produção dos macarrões udon e soba foram algumas delas. O manju, um doce que lembra vagamente um pão de ló recheado com geleia de feijão, também. As iguarias são homenageadas no espaço aberto do templo com monumentos de pedra. O Jotenji não é exatamente um ponto turístico, mas pedindo com jeitinho, você consegue visitar a parte interna do salão principal, de onde se pode admirar um bem cuidado jardim de pedras.


Jardim de pedra do Jotenji visto de dentro do salão principal do templo (foto: Roberto Maxwell)

Outro templo de importância histórica para Hakata fica a poucos metros de distância. Inaugurado em 1195, o Shofukuji é considerado o primeiro templo zen do Japão. Acredita-se que tenha sido aqui que o chá foi introduzido no país. Com um amplo jardim arborizado, o templo também convida os visitantes a fazer o shakyo: cópia dos sutras sagrados, uma espécie de meditação (a partir de ¥1000). Outros templos budistas importantes na área são o Myorakuji e o Tochoji (com sua pagoda escarlate e o maior buda de madeira do Japão).


16:00, fé nativa

Todo dia 15 de julho — exceto durante a pandemia — Fukuoka assiste a um dos mais insanos festivais do Japão. É o Hakata Gion Yamakasa, uma competição em que as equipes correm contra o tempo carregando uma enorme e pesada alegoria por um circuito de 5 quilômetros de extensão. O festival é organizado pelo Santuário Kushida. Quem visita o santuário pode ter uma ideia do tamanho da treta. Uma réplica das alegorias, chamadas de mikoshi em japonês, fica em exibição no espaço do santuário.


Fundado no século 8, o Kushida é um santuário xintoísta e o olhar mais atento vai perceber as diferenças com relação aos templos budistas visitados anteriormente. O xintoísmo — "shinto" ou caminho dos deuses, em japonês — é considerado a religião nativa do Japão, com a adoração dos elementos da natureza como uma das bases. Por isso o espaço, mesmo sendo localizado numa das regiões mais urbanizadas da cidade, é bem arborizado. Dos ema (placas de pedidos) até os o-mikuji (papeizinhos da sorte) são várias as possibilidades de ter contato e poder compreender melhor as crenças dos japoneses.


Salão principal do Santuário Kushida, que fica no centro do distrito de Hakata (foto: Roberto Maxwell)
17:00, arte asiática

A proximidade de Fukuoka com a Península da Coreia — e, por tabela, com o continente — colocou a cidade na vanguarda do contato com as culturas asiáticas. Por isso, um espaço como o Fukuoka Asian Art Museum não só é único no mundo como, também, faz muito sentido. Fundada em 1999, a instituição tem uma das mais completas coleções de arte moderna e contemporânea de países asiáticos no planeta. Em resumo, é uma referência em termos de arte e, mais legal ainda, é barato (¥200).


Estando na área, não deixe de fazer uma visitinha também à Suzukake, uma doceria japonesa com guloseimas que são verdadeiras obras de arte. O menu é sazonal, mas o ichigo daifuku (¥324) — um bolinho de massa de arroz recheado com doce de feijão e morango fresco — está presente no cardápio no inverno e na primavera, e é sensacional.


19:00, difícil escolha

Gyoza Las Vegas é o que diz a fachada, num design pop retrô que se repete no ambiente, colorido e solar. Enxuto, o menu é de izakaya, a começar pelo gyoza da entrada (¥400) que chega à mesa rechonchudo, com a massa crocante na parte de baixo e fofinha na barriga. Vai bem com uma boa cerveja, claro, mas é irresistível provar os refrigerantes da marca própria da casa (¥550), saborosos e frutados. A potato salada (¥480) é deliciosa e a vontade é de ir pedindo um a um todos os pratos do menu até que dá aquela apertada e você decide ir ao banheiro para descobrir que, nos fundos do restaurante, tem uma outra fachada. Yorgo é o que diz, agora num letreiro elegantemente discreto. Você abre uma porta e, como num filme do Michel Gondry, entra em uma outra realidade. No outro espaço, o restaurante gira em torno da cozinha, com um balcão em meio círculo. O menu é de bistrô.


E agora? Onde comer? Dependendo da disponibilidade, o visitante do Las Vegas pode mudar de restaurante, mas a verdade é que ambos os espaços são muito disputados. Com sorte, quem está no Las Vegas consegue pegar uma sobremesa no Yorgo entre uma reserva e outra. O Gateau Marron (¥880), delicioso e perfeitamente executado, foi meu prêmio de consolação. Pelas caras dos comensais e pelas avaliações nas redes sociais, parece que o Yorgo é bem interessante. Na dúvida, reserve os dois: peça uma entrada no Las Vegas e termine seu jantar no Yorgo.


Gyoza Las Vegas: menu de izakaya (foto: Roberto Maxwell)


sábado

10:00, as pedras do castelo

Em contraponto à Hakata e sua vida mercantil, a antiga Fukuoka era uma cidade militar. Razões para se preocupar com a segurança não faltavam. Localizadas numa das pontas do Estreito da Coreia, as cidades chegaram a ser alvo de ataques externos, incluindo as Invasões Mongóis do século 13. A última fortificação militar do período feudal japonês no local foi o Castelo de Fukuoka, construído no início dos anos 1600, na margem esquerda do Rio Naka, de frente para Hakata. O local é considerado estratégico há séculos: um trabalho de escavação, em 1987, encontrou ali as ruínas de um korokan, espaço que funcionava como seção diplomática, datado do século 7. Com a chegada da Restauração Meiji (1868), o castelo perdeu sua função inicial e foi sendo utilizado por agências governamentais e militares até 1945, quando foi ocupado pelas forças norte-americanas. No entanto, os principais prédios foram se deteriorando e pouco resta da construção.


Atualmente as ruínas são utilizadas como um parque público, com áreas para lazer, prática de esportes e caminhada. Também existem três museus gratuitos que contam a história do local. Parte do antigo castelo, o Parque Ohori é excelente para passear, sendo o jardim japonês (¥250, entrada) um dos destaques. Com 12000 metros quadrados, o jardim tem diversos canteiros com flores que desabrocham em diferentes épocas do ano. Não deixe de tomar um matchá (¥350, com doce japonês wagashi) na charmosa sala de chá.


13:30, teishoku

Frutos do mar são ingredientes essenciais na gastronomia de Fukuoka e um dos lugares mais interessantes para comprovar isso é o Umeyama Teppei Shokudo. O espaço com decoração minimalista e descolada serve os pratos no formato teishoku, um combo com um ingrediente principal acompanhado com arroz, sopa e um cozido com legumes. O menu, completamente em japonês, é extenso por causa da diversidade de peixes e de modos de preparo: frito, cozido, empanado, cru... Na dificuldade, use a galeria de fotos do site do local para ajudar na escolha. Fui de olho-de-boi no shoyu (¥1265) e estava delicioso. Vê um pote de vidro tampado na foto abaixo? Ele está cheio de um preparo chamado furikake, que está para os japoneses como a farofa está para nós, brasileiros. O furikake é salpicado no arroz para adicionar sabor. No Umeyama Teppei, ele é preparado na casa, com as aparas dos peixes usados na cozinha e é um espetáculo! Ah, o cardápio de bebidas tem, além das cervejas, três tipos de shochu (um destilado japonês) e um tipo de saquê, relativamente rascante, ideal para os pratos com peixes. Por fim, não custa lembrar que o lugar é um sucesso e não aceita reservas. Portanto, prepare-se para esperar na fila de novo.


Teishoku do Umeyama Teppei: peixes são os destaques da casa (foto: Roberto Maxwell)

14:30, lojinhas vintage

Tenjin, Daimyo e Yakuin são três bairros vizinhos que constituem o centro do hype em Fukuoka. O primeiro é o mais mainstream, com dezenas de espaços de grandes marcas e grandes lojas de departamentos, como o Parco. No entanto, conforme você segue na direção de Daimyo, os edifícios vão ganhando proporções menores e grandes marcas passam a conviver com menores, muitas delas promovendo criadores locais. A moda é destaque no bairro, em especial lojas com inspiração vintage como a Ace In The Hole (feminina) e Bingo Bongo (masculina). Quem curte vinil também vai gostar de visitar a Ticro Market, cheia de raridades e edições de colecionador em boas condições. Já a Alice on Wedsneday vende acessórios e outras charmosas bugigangas inspiradas no conto Alice no País das Maravilhas. Vale muito explorar as ruazinhas do bairro para fazer descobertas e quando cansar, tomar uma cervejinha artesanal no Fukuoka Craft by El Borracho ou um sorvete de casquinha no Daimyo Soft Cream.


17:00, hype adulto

Caminhando para o sul, a partir de Daimyo, as lojas vão ganhando outros ares, com produtos e estilo mais voltados para um público adulto e underground. Chegando em Yakuin, considerado por muitos o bairro do momento em Fukuoka, vemos lojas como a On Air, que funciona como estúdio de gravação e espaço de venda para o grafiteiro Kyne e o ilustrador NONCHELEEE. A dupla coloca suas artes em roupas, acessórios e até canecas que fazem a cabeça da galera que gosta de arte de rua. No espaço, os caras também produzem eventos e um programa de rádio. Outra loja interessante é a BBB Potters, focada em itens para a casa, onde você encontra desde cerâmica produzida por reconhecidos artesãos locais até um chocolate de matchá importado... de Portugal (!?). Aliás, falando em louça, a Patina é outra loja com uma seleção variada, focada na produção local não somente de cerâmicas, mas também de joias e roupas. E é sempre possível dar uma relaxada entre uma andada e outra num local como o frill café que serve o Nosetozzo (¥1650), um donut recheado com frutas, servido em cima de um croffle — um híbrido entre um waffle e um croissant. Tudo isso equilibrado (literalmente) numa caneca de chá da sua escolha. Uma bomba deliciosamente calórica. Agora, se você prefere algo mais low profile, o No Coffee pode ser a opção. Ao contrário do que o nome sugere, o local oferece café, além de uma série de itens relacionados, coisa para deixar os cafecólatras de cabelo em pé — e bolso vazio.



Nosetozzo, do frill café, uma bomba de calorias e sabores (foto: Roberto Maxwell)
19:00 homem peixe

Ainda nas ruazinhas de Yakuin fica um dos izakaya mais falados da cidade, o Fishman. Com decoração descolada e música ambiente selecionada pelo DJ Towa Tei (ex-membro da banda cult dance Deee Lite), o espaço também serve comida de alta qualidade por um preço bem justo. O carro-chefe da casa é a torre de sashimi para dois (¥1380/pessoa), mas mesmo quem não gosta de peixe cru pode sair satisfeito com outras opções. O Unzan Ham Katsu (¥580) é uma fatia generosa de presunto muito bem empanada, crocante e deliciosa, que harmoniza com saquês, como o Koimari Junmaishu, levemente doce e frisante, servido na taça, em generosa dose (¥580). Outro clássico é o Wagyu Nikujaga (¥580), que o Fishman transformou numa espécie de torta de batata, salpicada com carne de boi wagyu e um molho espesso e lustroso de beterraba que é uma delícia. Não deixe de fazer a sua reserva já que a casa costuma estar sempre lotada.


Torre de sashimi do Fishman: frutos do mar frescos e cheios de sabor (foto: divulgação)

domingo

9:00 santuário do saber

A cerca de 40 minutos de trem de Fukuoka fica Dazaifu, que foi o centro administrativo da ilha de Kyushu por século. A cidade, posteriormente, se tornou uma área para funções diplomáticas e se manteve importante até o início do Período Muromachi, no século 14. Hoje só existem as ruínas dos antigos edifícios e a área é ocupada por um parque que fica muito bonito durante a floração das cerejeiras. O Salão de Exposições de Dazaifu (¥200) traz artefatos descobertos durante a pesquisa arqueológica na área, bem como maquetes e outros objetos relacionados com a história do local. Panfletos com explicações em inglês são distribuídos aos visitantes.


O ponto de maior atração de turistas na cidade é o Dazaifu Tenmangu, um santuário xintoísta dedicado a Sugawara Michizane, um estudioso e político do século 9, hoje adorado como a divindade do saber Tenjin. O acadêmico caiu em desgraça com o imperador e acabou exilado na região, onde viveu até a morte. O santuário fica numa ampla área acessível por um calçadão cheio de lojinhas charmosas e restaurantes. Vale à pena parar em um dos inúmeros balcões disponíveis no calçadão e provar o umegae mochi, um bolinho assado na chapa e feito com massa de arroz, recheado com geleia de feijão. Segundo a lenda, o docinho era oferecido a Michizane por uma senhora que se compadeceu de sua solidão e pobreza.


Umegae mochi, o bolinho da compaixão, com sua estampa de flor de ameixeira (foto: Roberto Maxwell)

Cheio de belezas e surpresas, o Dazaifu Tenmangu merece uma visita minuciosa. São diversos os símbolos existentes no enorme jardim que podem passar despercebidos aos olhares menos atentos. Estátuas de bronze representando animais sagrados e até obras de arte contemporânea estão espalhadas pela ampla área aberta do santuário. No salão principal, que fica ao fundo, vale apreciar a beleza da construção e as manifestações de fé dos locais. No final do inverno, o santuário ganha um colorido especial com a floração das ameixeiras. Tenjin tem uma ligação especial com esta flor que é tida como a primeira a desabrochar no ano.


Como o santuário é dedicado ao saber, duas instituições são diretamente ligadas a ele. O Museu Histórico Kanko é dedicado à vida de Sugahara Michizane e o Dazaifu Tenmangu Museum exibe as relíquias do santuário. O ingresso para visitar ambos custa ¥1000 por pessoa. Localizado no entorno, o Museu Histórico de Kyushu (¥700, exposições especiais são cobradas à parte) é o mais completo sobre a ilha. Um bilhete promocional incluindo as três instituições custa ¥2000.

Salão principal do Dazaifu Tenmangu, sempre repleto de fieis (foto: Roberto Maxwell)

Além do Tenmangu, outros pontos de interesse próximos são o Komyozenji (¥500), um templo budista da escola zen Rinkai, com dois jardins de pedra que ficam belíssimos no outono, e o Tenkai Inari, outro santuário, este dedicado à divindade da colheita do arroz, da qual a raposa é a mensageira. Um final abençoado para uma visita a uma das cidades mais subestimadas e fascinantes do Japão.

 

revisão: Barbara Dell




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