top of page
bannertabiji1png.png

Arte inconveniente no Japão?

Atualizado: 27 de ago. de 2025

Museus a céu aberto, projetos inovadores de arquitetura e revitalização da comunidade são pontos em comum destes espaços em que quanto mais difícil o acesso, melhor



Há um tipo de arte que não se entrega de imediato. Que não está à vista, nem à mão. Ela se abriga em pontos remotos, cujo acesso direto quase nunca existe. Fica em locais onde chegar até ela envolve múltiplos meios de transporte, caminhos tortuosos e paciência — às vezes, muita paciência — por parte do viajante.


Normalmente, quando pensamos em arte durante uma viagem, imaginamos os museus das cidades visitadas, quase sempre a poucas estações de metrô de onde nos hospedamos. Locais como Naoshima e as demais ilhas de arte do seu entorno sempre me intrigaram justamente por não serem fáceis de chegar. E essa sensação se intensificou quando li um artigo da crítica de arte e jornalista Thu-Huong Ha, que usa a expressão “arte inconveniente” para essas experiências, ideia que ela descreve da seguinte forma:

“Distante das principais cidades ou de paradas de Shinkansen [trem-bala], normalmente aninhadas na natureza e em localidades remotas, estas obras de arte e eventos são criados para serem de difícil acesso.” — The Japan Times

Em outras palavras, é preciso disposição, suor e espírito de conquista para apreciar a arte nestes locais.


Ilhas distantes têm sido escolhidas para abrigar obras de arte. (foto: Sunny Young)
Ilhas distantes têm sido escolhidas para abrigar obras de arte. (foto: Sunny Young)

O difícil acesso, porém, está longe de ser um mero obstáculo. Para muitos viajantes — eu incluído —, compreender essa distância é parte essencial da experiência estética. A própria viagem se inscreve como um processo de afinação do olhar, um tempo de maturação, por assim dizer. Ver os prédios das grandes cidades desaparecerem pela janela do trem, cedendo lugar à paisagem rural, ou ouvir o bater das ondas no casco da barca — não seriam também formas de perceber as transições e aguçar a sensibilidade? Perrengue ou prelúdio, tudo depende de como se encara a jornada.


Neste artigo, apresento alguns desses locais e alguns motivos para que você faça uma ou mais destas verdadeiras peregrinações artísticas.


Museu a Céu Aberto de Hakone

acesso: relativamente difícil

nível de perrengue: baixo


Localizado em Gora, no alto das montanhas de Hakone, a cerca de uma hora e meia de Tóquio, este museu integra esculturas modernas e clássicas à natureza. Obras de Henry Moore e Taro Okamoto dividem espaço com instalações interativas, jardins e fontes. Um pavilhão dedicado ao que eu chamo de lado B da obra do espanhol Pablo Picasso, também é destaque. Não muito distante dele, fica um escalda-pés com as famosas águas termais da região. Leve a sua própria toalhinha ou compre uma no local. A experiência ao ar livre é uma verdadeira imersão artística.


O acesso é feito pela linha Hakone Tozan, cujo terminal mais próximo do mar fica em Odawara, a menos de 35 minutos de trem-bala da estação de Tokyo. A viagem no trem que sobe a montanha é belíssima. Atente-se às surpresas no trajeto. O museu fica a uma curta caminhada da estação Chokoku-no-mori e não é necessário fazer reserva antecipada. A zona no entorno também tem outras atrações e opções de hospedagem como o disputadíssimo ryokan (pousada em estilo tradicional japonês) Gora Kadan.


Instalação para crianças no Museu a Céu Aberto de Hakone (foto: Roberto Maxwell)
Instalação para crianças no Museu a Céu Aberto de Hakone (foto: Roberto Maxwell)

Observatório de Enoura

acesso: relativamente fácil

nível de perrengue: baixo


Este espaço no alto de um penhasco com vista para a Baía de Sagami foi projetado pelo japonês Hiroshi Sugimoto. Aqui, ele busca aliar o presente e o passado, com construções novas e antigas — estas trazidas de outras regiões, como uma casa de chá. Ao longo da área de quase 10 mil metros quadrados foram construídos diversos pontos de observação do mar, alguns na posição exata para ver o pôr do sol nos solstícios e equinócios. Uma galeria que se parece um píer avançando na direção do mar guarda o trabalho fotográfico do artista/arquiteto. Há ainda uma zona em que se pode passear entre os pés de tangerina, fruta produzida na região. Conto sobre a experiência no espaço neste artigo.


O Observatório de Enoura fica a pouco mais de uma hora de Tóquio, pela linha Tokaido de trens normais. Desça na estação de Nebukawa, onde um micro-ônibus leva até o local. Tanto o transporte de ida quanto o ingresso precisam ser agendados com antecedência pelo site da instituição.


Galeria do Solstício de Verão - 100 metros de comprimento (foto: Roberto Maxwell)
Galeria do Solstício de Verão - 100 metros de comprimento (foto: Roberto Maxwell)

Naoshima

acesso: difícil

nível de perrengue: médio


Naoshima é o local mais lembrado quando o assunto é arte inconveniente. A pequena ilha do Mar Interior de Seto também se tornou uma espécie de modelo para vários outros projetos de revitalização através da arte. É um caso de sucesso. Somente em 2024, quase 750 mil pessoas visitaram Naoshima e seus museus.


A ilha pode ser dividida em três áreas. O Porto de Miyanoura é a principal porta de entrada. Aqui fica uma das abóboras coloridas da artista japonesa Yayoi Kusama. Também é o local do banho público I Love Yu, com murais e outras intervenções do japonês Shinro Ohtake. No entorno do porto ficam outras obras a céu aberto e uma boa parte do comércio, das hospedarias e dos restaurantes da ilha.


O núcleo duro de Naoshima é a área onde ficam as principais instalações, projetadas pelo japonês Tadao Ando. O Museu de Arte Chichu é a joia da coroa, já que é uma construção praticamente subterrânea, com pouco impacto na superfície da ilha. Aqui ficam obras de Claude Monet, James Turrell and Walter De Maria. Já o Museu Benesse House tem uma coleção diversas, pinturas e esculturas de importantes nomes da arte contemporânea mundial. Também ficam nesta zona o Museu Lee Ufan, a galeria Time Corridors com obras de Hiroshi Sugimoto e o Novo Museu de Arte de Naoshima, inaugurado em 2025. Aqui, o foco são artistas japoneses e asiáticos. Obras a céu aberto também estão espalhadas pela zona, um convite para a exploração a pé ou de bicicleta.


Honmura, como o nome diz, é a vila principal de Naoshima, onde vivem boa parte dos 3 mil habitantes da ilha. Com o envelhecimento populacional e o êxodo de população que Naoshima sofreu nas últimas décadas do século 20, muitas casas ficaram abandonadas. Algumas delas foram ocupadas pelo Art House Project. As antigas residências, transformadas em instalações artísticas, são uma forma de se aproximar um pouco mais do cotidiano e dos moradores da ilha. Onipresente, James Turrell tem uma obra nesta área. Sua casa Minamidera é uma das mais populares e aceita um número limitado de visitantes por dia. Da minha parte, a dica é o Santuário Go-on que, no seu projeto de restauração, ganhou uma intervenção bem bacana do Hiroshi Sugimoto.


Recomendo que você faça reserva antecipada tanto para os museus quanto para o Art House Project. Este é o site oficial. A ilha também tem pouca oferta de hotelaria. Quartos no disputado hotel Benesse House costumam se esgotar rapidamente. Além de ficar em quartos inspirados no design, o hóspede tem outros benefícios, como acesso facilitado em determinados museus e experiências exclusivas. Outra opção à altura — mas sem as mesmas regalias — é o Naoshima Ryokan Roka.


A principal porta de entrada em Naoshima é através da estação de Okayama, atendida pelos trens-balas que vêm de Tóquio, Kyoto, Osaka e Fukuoka. Daqui, se faz baldeação para as linhas de trem comum e, com organização, você consegue uma conexão direta até a estação mais próxima do Porto de Uno. Deste ponto, é hora de embarcar para Naoshima, uma viagem que leva cerca de 20 minutos. Para acessar as áreas de arte fora do porto, uma linha de ônibus faz o trajeto até Honmura e até a entrada da zona dos museus. De lá, um microônibus faz o trajeto entre os principais museus.


Escultura exposta no Museu Benesse House (foto: Denys Nevozhai)
Escultura exposta no Museu Benesse House (foto: Denys Nevozhai)

Teshima

acesso: difícil

nível de perrengue: alto


De modo simplista, Teshima e Inujima podem ser vistas como spin offs do projeto de Naoshima, que ainda inspirou outras ilhas no entorno. Com acesso ainda mais restrito e menos espaços de arte, são ilhas menos visitadas e, por isso, mais tranquilas.


Teshima é uma ilha montanhosa que fica a 20 minutos de Naoshima. A ilha foi palco de um grave acidente ecológico nos anos 1980 e foi mais de uma década até que tudo fosse normalizado. Há várias obras de arte espalhadas pela ilha, muitas delas concentradas em três núcleos. 


Nos arredores do Porto de Ieura fica a Teshima Yokoo House, com obras do artista Tadonori Yokoo numa casa renovada pela arquiteta Yuko Nagayama. O espaço merece uma parada.


No alto da colina fica o principal espaço da ilha, o Museu de Arte Teshima que é, ele mesmo, a única obra em exposição. No espaço de concreto projetado pelo arquiteto japonês Ryue Nishizawa, sua conterrânea e artista Rei Naito instalou um sistema que permite com que a água brote em gotas do piso do museu e circule pelo ambiente. Parece simplório, mas é uma das mais intrigantes obras de arte que eu já vi.


Já a área no Porto de Karato fica a obra Les Archives du Coeur do francês Christian Boltanski, uma instalação sonora baseadas batidas do coração captadas pelo artista pelo mundo. No espaço, os visitantes também podem gravar e doar o som do seu coração para o projeto.


A forma mais comum de acesso a Teshima é a barca que sai da vizinha Naoshima. A ilha também é conectada à cidade de Takamatsu em alguns horários do dia. Dentro da ilha, existem duas linhas de ônibus que fazem a circulação dos visitantes entre as obras. Uma outra opção, para quem tem mais disposição, é fazer tudo de bicicleta.


Museu de Arte de Teshima (foto: Denis Kovalev)
Museu de Arte de Teshima (foto: Denis Kovalev)
Inujima

acesso: difícil

nível de perrengue: alto


Entre Teshima e Honshu, a ilha principal do Japão, fica Inujima, outra pequena joia de arte do Mar de Seto. A ilha tem um história na produção de insumos para indústria. Durante o Período Edo, eram blocos de pedras usados na construção de fortificações.


No início do século 20, foi instalada uma fábrica de cobre que foi abandonada poucos anos depois. A construção não foi demolida e permaneceu quase intacta por décadas. Depois de ser tombada como patrimônio da modernização do país, a usina foi transformada no Museu de Arte Seirensho de Inujima. Aqui fica uma intrigante exposição do artista japonês Yukinori Yanagi inspirada na obra do escritor Yukio Mishima.


Semelhante a Naoshima, Inujima também tem um Art House Project, com obras espalhadas pela vila de moradores da pequena ilha de cerca de 40 habitantes. A brasileira Beatriz Milhazes é uma das artistas com obras na vila. A ilha ainda conta com um jardim botânico e obras espalhadas por ela.


Inujima é acessível via Naoshima e Teshima. Além disso, existe um pequeno porto em Hoden que é ligado a Okayama por uma linha de ônibus local. A viagem entre o porto e a estação central da cidade leva quase uma hora. Tanto os ônibus quanto as barcas deste trajeto são infrequentes.


Antiga chaminé do atual Museu de Arte Seirensho de Inujima (foto: Roberto Maxwell)
Antiga chaminé do atual Museu de Arte Seirensho de Inujima (foto: Roberto Maxwell)

Echigo-Tsumari Art Field

acesso: muito difícil nível de perrengue: alto


Na província de Niigata, um vasto território rural foi transformado em um museu a céu aberto, com mais de 250 obras espalhadas por vilarejos, campos e montanhas. São seis áreas, algumas bem distantes entre si. O acesso a determinadas só pode ser feito de carro ou nas tours de ônibus organizadas pela instituição que administra o projeto. Esses passeios, no entanto, só rolam no verão e no outono, em datas específicas. As reservas podem ser feitas pelo site do Echigo Tsumari Art Field. Não desanime. Há um trajeto que é acessível de transporte público, partindo de Echigo Yuzawa pela linha Hokuhoku, passando pelas estações de Matsudai (Museu NOHbutai e Castelo de Matsudai) e Tokamachi (Museu de Arte Contemporânea do Satoyama de Echigo-Tsumari). Na primeira área, diversas obras a céu aberto ficam no entorno do NOHbutai e colina acima, na rota que leva até o castelo. Aqui é possível desfrutar obras de artistas como Yayoi Kusama, Ilya & Emilia Kabakov, Tatsuo Kawaguchi e do brasileiro naturalizado norte-americano Oscar Oiwa.


Como as obras estão, além do museu, espalhadas pela colina, a opção é usar o micro-ônibus oferecido pelo projeto, que funciona com tabela de horários fixa nos fins de semana e sob demanda nos dias de semana. Informe-se na recepção do NOHbutai. Não deixe também de conferir os horários dos trens, que são relativamente infrequentes.


Daqui, depenendo do ritmo em que você explorar as obras, é possível seguir para a estação de Tokamachi e conhecer o Mon-ET, Museu em Echigo Tsumari. O espaço projetado pelo arquiteto japonês Hiroshi Hara — o mesmo da estação de Kyoto — contém obras de artistas japoneses e internacionais, incluindo uma versão da piscina do argentino Leandro Erlich.


Uma outra parte acessível de transporte público é o Túnel da Luz, que fica na Garganta de Kiyosu, uma bela região no meio das montanhas. Este é o espaço mais conhecido do Echigo Tsumari Art Field, tendo sido considerado um dos pontos mais instagramáveis do Japão anos atrás. O acesso à obra é extremamente limitado. São só quatro horários por dia do ônibus que conecta a estação de Echigo Yuzawa ao espaço. O mesmo ocorre na volta. Então, planejamento aqui é fundamental. Porém, o esforço vale a visita. A obra do escritório de arquitetura chinês MAD e a natureza no entorno é a recompensa.


Outra atração imperdível é uma performance/intervenção que usa como cenário a linha ferroviária que atende a região. Para desfrutar a obra do coletivo Panoramatiks, pilotado pelo japonês Seiichi Saito, o público embarca no trem da Linha Hokuhoku e vive uma experiência sonora e visual única. As datas disponíveis são limitadas e podem ser conferidas aqui. Conto sobre ela no episódio 4 do podcast Viajando pelo Japão com Roberto Maxwell.


Quem deseja pernoitar no local, pode aproveitar para conhecer a Casa da Luz, do artista americano James Turrell, inspirado no livro Elogio da Sombra, do japonês Jun’ichirō Tanizaki. Falo desta obra aqui.


A entrada nesta região de arte é feita pela estação de Echigo Yuzawa que é acessível de Tóquio pela linha Joetsu do trem-bala Shinkansen. No entorno da estação, existem algumas opções de ryokan para quem pretende passar a noite. Como esta é uma zona em que neva muito, é possível que algumas das obras a céu aberto fiquem inacessíveis durante o inverno.


Túnel da Luz, uma das inúmeras obras no Echigo Tsumari Art Field  (foto: Roberto Maxwell)
Túnel da Luz, uma das inúmeras obras no Echigo Tsumari Art Field  (foto: Roberto Maxwell)

Museu de Arte Adachi

acesso: muito difícil

nível de perrengue: alto


Vinte e duas. Este é o número de vezes consecutivas que os jardins deste museu foram considerados os mais belos do Japão pela publicação mais respeitada do assunto no país. O espaço que fica na longínqua vila de Yasuda, na província de Shimane, prova que o amor à arte de alguns pode ser muito, mas muito grande. O espaço foi projetado para receber a coleção do empresário Zenko Adachi, nativo da região, que começou sua fortuna vendendo carvão na localidade. Conforme foi enriquecendo, o homem passou a colecionar obras de arte e se apaixonou pelo trabalho do pintor Taikan Yokoyama, que viveu entre os séculos 19 e 20, e se tornou um dos principais expoentes da pintura moderna japonesa no pré-guerra. Visitar o museu é, portanto, a melhor forma de mergulhar profundamente na obra fascinante do artista, que compõem boa parte de sua exposição principal.


Os jardins acabaram sendo uma consequência da relação entre o fundador do museu e a obra do seu pintor favorito. Adachi, que faleceu em 1990 aos 91 anos, sentia uma forte ressonância entre as obras de Yokoyama e a delicadeza dos jardins japoneses. De fato, as obras e a paisagem se harmonizam criando uma experiência visual e sensorial única.


Para chegar até o espaço, você precisa embarcar num trem da linha Hakubi partindo de Okayama, Izumo ou Matsue até a estação de Yasuda. Daqui, um micro-ônibus gratuito, com horários de partida limitados, leva até o museu numa viagem de cerca de 20 minutos.


Jardim no Museu de Arte Adachi  (foto: Roberto Maxwell)
Jardim no Museu de Arte Adachi  (foto: Roberto Maxwell)

Simose Art Museum

acesso: relativamente difícil

nível de perrengue: médio


No litoral de Hiroshima, fica o museu mais bonito do mundo de acordo com o Prix Versailles, uma premiação francesa de design e arquitetura. Trata-se do Museu de Arte Simose (lê-se 'ximose'), projetado pelo japonês Shigeru Ban, conhecido mundo a fora pelos banheiros transparentes do Tokyo Toilet Project. Apesar de não contar com a mesma tecnologia que até hoje surpreende o mundo, os espaços modulares do museu lembram os sanitários instagramáveis: são caixas retangulares coloridas que, neste caso, flutuam sobre um espelho d'água, dando a impressão de que estão navegando nas águas esmeralda do Mar Interior de Seto.


Enquanto a própria estrutura do museu já é uma obra de arte em si mesma, com suas linhas leves e integração harmoniosa ao entorno, o espaço foi concebido para abrigar a coleção de Yumiko Shimose, a presidente de uma grande indústria de Hiroshima, na celebração dos 60 anos da companhia que ela dirige. São obras de nomes de diversas gerações, incluindo impressionistas como Monet, Renoir e Pissarro. Outros mestres modernos ocidentais como Matisse e Chagall e modernistas japoneses, incluindo Kishida Ryūsei e Saeki Yūzō, também fazem parte do acervo. Exposições temporárias dão destaque a artistas japoneses contemporâneos.


O espaço conta, ainda, com um jardim inspirado na obra do francês Emile Gallé, um expoente do movimento Art Nouveau, e um terraço com vista para o Mar Interior de Seto. No complexo, ainda há um café e um restaurante de gastronomia francesa que está sempre lotado. Portanto, reserve com antecedência por este link.


A estação de Hiroshima é o ponto principal de acesso ao museu, com um trem da linha Sanyo que leva até as estações de Kuba e Otake, de onde partem os ônibus que levam até a zona do museu. Outra opção, mais salgada, é se hospedar nas villas adjacentes ao museu. Os quartos têm design minimalista e a opção de vista para o mar.


Galerias do Museu de Arte Simose (foto: Roberto Maxwell)
Galerias do Museu de Arte Simose (foto: Roberto Maxwell)

Kirishima Open Air Museum

acesso: muito difícil

nível de perrengue: alto


Em meio às colinas e florestas do norte da província de Kagoshima, o Museu a Céu Aberto de Kirishima combina arte contemporânea com a força da natureza vulcânica da região. Cada obra foi instalada levando em consideração a topografia, a vegetação e até mesmo a presença de fontes termais próximas, de forma que o visitante não apenas observa a arte, mas caminha por um percurso que mistura percepção visual, olfativa e sonora.


O museu abriga trabalhos de artistas japoneses e internacionais, incluindo esculturas monumentais de Taro Okamoto, Yayoi Kusama e Kazuo Shinohara, além de instalações que se integram à paisagem. Nas galerias, obras de nomes como Yoko Ono, Takashi Murakami, Nam-June Paik e James Turrell.


O espaço se estende por trilhas sinuosas, pequenos bosques e campos abertos, criando a sensação de descobrir obras quase escondidas — o que reforça o conceito de “arte inconveniente”. O visitante precisa caminhar, subir colinas e seguir caminhos tortuosos, o que transforma o percurso em uma espécie de jornada estética, em que cada curva revela uma nova surpresa. A contemplação da natureza, combinada à presença da arte, faz com que cada visita seja única, dependendo da luz, do clima e do ritmo do visitante.


Kirishima é acessível pelo Aeroporto Internacional de Kagoshima. Ônibus conectam o aeroporto ao centro da cidade. O museu, porém, fica numa área isolada da montanha e é acessível por uma linha de ônibus que parte da estação de Kirino e, para variar, tem poucos horários por dia e só funciona nos fins de semana e feriados.


Escultura no Museu a Céu Aberto de Kirishima ( (foto: Roberto Maxwell)
Escultura no Museu a Céu Aberto de Kirishima ( (foto: Roberto Maxwell)


2 comentários


raquelpontes
25 de ago. de 2025

Esse artigo chegou tão em boa hora!! Adorei, Roberto!! Arrasou mto!

Curtir
Roberto Maxwell
Roberto Maxwell
26 de ago. de 2025
Respondendo a

Que maravilha! Muito obrigado!

Curtir
bottom of page