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Fim da linha para as viagens de trem econômicas no Japão?

Atualizado: 28 de jul. de 2023

Grupo ferroviário anuncia aumento do JR Pass, bilhete que faz muitos viajantes circularem pelo país por um preço bem em conta


Trem-bala da linha Tokaido, a mais movimentada do shinkansen (imagem: Photo AC)

Um dos maiores encantos para o turista que viaja pela Terra do Sol Nascente é o sistema ferroviário do país. Extenso e extremamente pontual, os trens cortam o arquipélago japonês de norte a sul e, por isso, costumam ser o principal meio de transporte interregional. O maior incentivo para o uso das ferrovias pelos turistas é, sem dúvidas, o Japan Rail Pass, que permite o uso quase que ilimitado dos trens das companhias do Grupo JR por um período determinado de tempo. Isso inclui o super veloz trem-bala Shinkansen, a menina dos olhos das ferrovias japonesas.


Mas isso está prestes a mudar. Nesta sexta-feira, 14, o Grupo JR surpreendeu turistas e a indústria com um aumento médio de 70% no preço dos bilhetes, a partir de outubro deste ano. O passe mais barato – de 7 dias nos carros comuns – vai de algo em torno de 222 dólares americanos na venda pelas agências, para cerca de 375. Para dar uma ideia de como o passe em sua forma atual é uma bagatela, somente os bilhetes avulsos de ida e a volta entre Tóquio e Osaka, um trajeto muito comum entre turistas, custam cerca de 209 dólares.


Filas e estresse

No entanto, nem tudo tem sido alegria para os usuários do passe no pós-pandemia. Mesmo antes da floração das cerejeiras, a altíssima temporada do turismo na Terra do Sol Nascente, os usuários já vinham sofrendo para usar o passe. Em Tóquio, enormes filas têm se formado para a ativação do bilhete, que deve ser feita de forma presencial nas grandes estações. Reservas, anteriormente feitas normalmente, agora estão limitadas nos lotados guichês.


As mudanças, que envolvem um código de barras no bilhete, até permitem que a seleção antecipada de assentos possa ser feita em máquinas automáticas. Mas o sistema não é muito amigável. Por exemplo, a cada reserva é preciso digitar o número do passaporte do portador do passe na máquina, trabalho ainda mais complicado se são muitos os passageiros.


Filas e grande espera na ativação do JR Pass na estação Narita Aiport (foto: Roberto Maxwell)

Melhorias, no entanto, foram feitas. Antes em formato de passaporte, agora o JR Pass é um bilhete de reconhecimento magnético que pode ser inserido nas catracas como um tíquete normal. Além disso, o grupo JR criou um site que permite a compra direta do passe e reservas de assentos online. Neste caso, o preço é mais alto do que a aquisição via agências de viagem. Porém, a compra pela internet permite reservas de assento mesmo antes da ativação, algo que não é possível na versão mais barata do passe.


Novas diretrizes

O comunicado do Grupo JR informa que os novos preços serão praticados a partir de outubro, sem determinar a data de início da cobrança. Além disso, o escopo do passe será ampliado. Os passageiros passam a poder utilizar os serviços Nozomi e Mizuho trens-balas que param em menos estações e são, portanto, mais rápidos. Além disso, o comunicado fala em descontos em serviços que não foram especificados.


Com poucos detalhes, ainda não é possível determinar qual será o futuro do passe que surgiu com a função de estimular a dispersão de turistas pelo arquipélago. A verdade é o que o JR Pass não conseguiu fazer com que a maioria dos turistas internacionais saísse da chamada Rota Dourada, uma reta entre Tóquio e Hiroshima, pelas linhas Tokaido e Sanyo do trem-bala Shinkansen. São justamente regiões onde ficam localidades que sofrem com o excesso de turistas, como a capital japonesa e as cidades de Kyoto e Osaka.


Futuro

Uma aposta é que boa parte dos usuários menos abastados migre para os passes regionais, que propiciam o acesso de forma econômica a áreas do país ainda pouco conhecidas pelos turistas estrangeiros. Por apenas 150 dólares, por exemplo, é possível conhecer a região de Tohoku por 5 dias com o JR East Pass. Províncias como Fukushima, Miyagi e Aomori têm áreas belíssimas e cheias de história e rica gastronomia que ainda passam batidas da listas de desejos dos viajantes internacionais. Porém, ainda não é possível saber se os preços desses passes serão mantidos ou se sofrerão reajustes.


JR East Pass: exemplo de passe regional econômico (foto: Roberto Maxwell)

Para o JR Pass, no entanto, o futuro é ainda obscuro. Para valer a pena, ele vai precisar oferecer descontos generosos e acesso a experiências que encantem os viajantes. Caso contrário, o passe tende a cair em desuso. Se isso acontecer, será o fim de uma era de grande economia para os viajantes na Terra do Sol Nascente.


Novos Preços

Vagão comum

  • 7 dias = de 29.650/33.610 ienes para 50 mil ienes (⇧ 67%)

  • 14 dias = de 47.250/52.960 ienes para 80 mil ienes (⇧ 69%)

  • 21 dias = de 60.450/66.200 ienes para 100 mil ienes (⇧ 65%)

Vagão Green

  • 7 dias = de 39.600/44.810 ienes para 70 mil ienes (⇧ 77%)

  • 14 dias = de 64.120/72.310 ienes para 110 mil ienes (⇧ 72%)

  • 21 dias = de 83.390/91.670 ienes para 140 mil ienes (⇧ 68%)



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1 Comment


Ótimo post! Tenho viagem marcada para o Japão em novembro e agora fiquei preocupada, pois tinha planejado adquirir o JR Rail Pass. Uma coisa que tenho dúvida, se comprar o passe online antes de outubro ainda consigo o preço sem reajuste? Obrigada

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