Um fim de semana em... Kyoto

Atualizado: 11 de jan.

Inspirada pelo The New York Times, a Tokyo Aijo inicia uma série com dicas para viagens curtas nas cidades japonesas


Pagoda de Yasaka ao fundo de uma das mais belas ruelas de Kyoto. (imagem: PhotoAC)

Não importa se você acabou de chegar ao Japão ou se já mora no país há algum tempo. Visitar Kyoto, com seus bairros e construções históricas preservados, sempre traz aquela sensação de que, finalmente, se está no Japão. Ao contrário de Tóquio, Kyoto foi poupada de desastres naturais e guerras nos últimos séculos e os mais de mil anos como capital do país fizeram com que incontáveis templos e santuários, além de palácios e residências exuberantes, fossem construídos ao longo da história.


Nos últimos anos, a tudo isso foi sendo acrescentada uma série de espaços modernos e cheios de estilo, numa mistura que faz da ex-capital japonesa uma cidade única. Numa simples caminhada, você pode esbarrar num mini-templo quincentário, vizinho a uma doceria que serve a mesma receita há 10 gerações, que fica ao lado de um restaurante italiano localizado em um machiya — antigas residências urbanas — e que prepara seus pratos com ingredientes tradicionais japoneses da estação. Épocas, espaços e culturas em diálogo fazem de Kyoto uma cidade que abraça o mundo, sem deixar de lados as suas raizes. Vem conhecer essa cidade comigo!


Sexta-feira

15:30, Gion

Gion é o nome genérico de uma área de Kyoto que fica no entorno de dois distritos de gueixas muito popular na cidade: Gion Higashi e Gion Kobu. Nesses locais, mora, estuda e se apresenta uma boa parte das geiko (lê-se "gueiko" e é como as gueixas são chamadas em Kyoto) e maiko (aprendiz de geiko) da antiga capital japonesa. Os distritos ficam a algumas quadras de distância um do outro e suas construções de madeira de dois andares no fazem sentir como no Japão de outras eras.


Comece o passeio por Gion Higashi, na saída 9 da estação Gion-Shijo, da companhia Keihan. As ruas são um charme, com várias lojinhas para explorar. Uma delas é a Pass the Baton, um brechó descolado com café e barzinho. Aproveite para fotografar a belíssima arquitetura do local: as construções de madeira, pequenas pontes cruzando o canal e outros detalhes. Isso porque a área é mais tranquila, com menos turistas e restrições que o distrito vizinho, mais famoso.

Ponte sobre o Shirakawa, um estreito canal que corta Gion Higashi. (imagem: PhotoAC)

A poucos minutos de caminhada, após a travessia de uma movimentada avenida, fica a Hanamikoji, rua principal do Gion Kobu, o mais famoso distrito de gueixas do Japão. Era ali que, antes da pandemia, milhares de turistas se aglomeravam para tentar fotografar uma delas. Aliás, com sorte é mesmo possível ver uma maiko caminhando apressada pela rua, saindo ou entrando de um estabelecimento; ou, ainda, uma geiko tomando um táxi até o próximo compromisso, vestida em seu quimono altamente luxuoso.


O exagero por parte dos turistas, que chegavam a ser rudes e insistentes com as moças, levou a uma medida drástica por parte dos locais: no Gion Kobu é terminantemente proibido fotografar. Por isso, resista ao clique e curta a caminhada pela área que é cheia de antigas construções reaproveitadas como lojas e restaurantes. Dê uma passadinha na Leica Kyoto Store, o showroom e loja da Leica. É uma ótima oportunidade para conhecer o interior de uma das casas do bairro. Além disso, sempre tem uma exposição bacana no segundo andar, com entrada franca.


Gueixas e aprendizes são incorporadas ao cotidiano de Kyoto. (foto: Meg Yamagute)

Caminhando até o final da Hanamikoji, você chega ao Kennin-ji, o mais antigo templo zen de Kyoto, fundado em 1202 por Yousai, o monge que trouxe essa tradição budista para o Japão. No Hatto, o Salão do Dharma, olhe para o teto. A gigantesca imagem de dois dragões foi produzida em 2002, em celebração ao oitavo centenário do templo. Essa e outras obras de arte sacra budista podem ser vistas no local. Atrás do salão fica um singelo jardim zen, um convite para a contemplação.


Saindo do templo, o café Gion Kinana, na rua de trás, é uma pausa deliciosa para apreciar doces japoneses e seus delicados sabores como a farinha de soja torrada kinako, o matchá, o gergelim preto e o feijão doce em forma de sorvete ou, no verão, kakigori, a raspadinha japonesa.


Entrada do Kenninji, templo budista da escola zen. (imagem: Photo AC)
17:00, um brinde ao pôr-do-sol

Com o sol se pondo, é hora de voltar em direção à estação onde começamos o passeio, Gion-Shijo. Lá pertinho fica o In The Moon, um barzinho no terraço de um prédio com ótima vista da cidade. De lá é possível ver as pessoas se exercitando e socializando na beira do Rio Kamo, observar a arquitetura do teatro Minamiza que fica logo em frente e até mesmo avistar a Torre de Kyoto, ao longe. Coquetéis por volta de ¥1,000, sem taxa de serviço.


19:00, macarrão à japonesa

De volta à rua, cruzando a ponte sob o rio Kamo, Omen Udon é uma ótima opção para o jantar. Com mais de 40 anos de história, o restaurante é especializado em udon, um tipo de macarrão grosso, feito de trigo. Servido quente ou frio, o Omen é o teishoku (combinado) básico da casa e vem com uma porção de udon acompanhada de legumes e verduras e o kimpira gobô — bardana e cenoura cozidas no shoyu e no açúçar . O caldo, chamado de tsuyu, serve para temperar o macarrão.


Combinado básico do Omen Udon. (imagem: Omen Udon/reprodução)

Outros combinados trazem tempurá e até mesmo o oshizushi de cavalinha, um sushi típico de Kansai — região onde se localiza Kyoto — que é feito com o peixe marinado. No passado, quando não havia formas artificiais de refrigeração, o sushi raramente era comido com peixe fresco e o oshizushi é um remanescente dessa época.


Além dos acompanhamentos extras, não deixe de provar também os vários tipos de temperos à disposição. O sansho, por exemplo, é um tipo de pimenta muito usada na Ásia que, além de aromática, dá uma leve dormência na boca.


21:00, a saideira

Para fechar a noite, nada melhor que se aventurar por Pontocho, uma ruazinha com apenas 500 metros de comprimento mas que concentra quase 80 estabelecimentos, na sua maioria restaurantes, bares e cafés. A área também é um distrito de gueixas e não é raro ver uma maiko por lá.


Não estranhe se o nome do lugar te parecer familiar. Uma das teorias diz que a origem pode ter sido uma apropriação das palavra "ponto" ou uma corruptela de "ponte". Os lusos estiveram no Japão durante o século 16 e Kyoto é uma área em que não era tão raro encontrar japoneses convertidos ao cristianismo, mesmo quando a religião já era proibida.


Restaurantes e bares são a especialidade do Pontocho, um dos distritos de gueixa de Tóquio (imagem: Photo AC)

Voltando aos assuntos mundanos, parte da diversão noturna em Pontocho é encontrar um local para tomar umas. Tem bares que não são acessíveis se você não estiver com alguém que já seja frequentador. Mas não deixe que isso te desanime. A experiência costuma ser inesquecível, especialmente se você tiver a oportunidade de interagir com os locais.


Sábado

9;00, desjejum internacional

Comece o dia cedo com um café da manhã no recém aberto restaurante libanês Ki para o melhor falafel que você irá provar no Japão. O restaurante tem um menu especial de café da manhã em que serve a iguaria num prato, com verduras e legumes, pastinhas e conservas. Pode vir acompanhado de carne, frango ou legumes grelhados no forno a lenha. Tudo isso acompanhado de pão pita fresquinho (a partir de ¥1,200). Tem opção vegana. O Ki fica a 4 min da saída número 1 da estação Kiyomizu-Gojo, da linha Keihan.


10:00, água pura

Higashiyama — montanha do oeste — é o nome da região em que estamos. Aqui fica o Kiyomizudera (¥400) um dos templos budistas mais conhecidos de Kyoto, localizado na encosta do Monte Otowa. Com mais de 1200 anos de história, o espaço é tombado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Impressiona o terraço de 13 metros construído inteiramente em madeira e com encaixes, ou seja, sem pregos. Kiyomizu quer dizer "água pura" e vem da fonte que existe no Monte Otowa e foi descoberta antes mesmo do templo ter sido fundado.


Vista de baixo dos pilares que sustentam o terraço do Kiyomizudera. (imagem: Photo AC)

A parte interna do templo não é acessível aos visitantes que só podem vê-la, por fora. Os altares estão sempre iluminados por velas e têm várias esculturas sacras que remetem à Kannon, a deusa da misericórdia a quem o espaço é dedicado.


Ao lado do salão principal do templo fica o Jishu, um santuário xintoísta, ideal para quem está à procura do amor. Ali, você pode fazer oferendas ou participar de um ritual — que lembra um jogo de cabra-cega. São duas pedras distantes entre si por 10 metros. Se você conseguir caminhar de uma até a outra de olhos fechados, encontrará o amor verdadeiro. Mas não precisa entrar em pânico. Pode pedir ajuda a alguém. Mas isso tem consequências, claro. Você só vai encontrar o amor com o auxílio de outra pessoa.


Saindo do Santuário Jishu, siga pelo terraço e aproveite para apreciar uma vista panorâmica da antiga capital. Depois, no caminho para a saída, fica a fonte que nomeou o templo. Ela tem três quedas e você já pode ir se decidindo sobre qual delas vai querer beber: a que traz saúde, sucesso ou amor.


11:00, ladeiras

Além do templo ser impressionante, o caminho até ele passa por ladeiras muito charmosas, numa área de preservação arquitetônica que mais uma vez nos transporta para o Japão de antigamente. Mas, desça com cuidado. A Sannenzaka (Ladeira dos Três Anos) e a Ninenzaka (Ladeira dos Dois Anos) carregam uma sina. Diz a lenda que quem tropeça ou cai nelas pode vir a morrer em 3 ou 2 anos, respectivamente. Pesado.


Enquanto desce a ladeira, explore as lojas de lembrancinhas que oferecem coisas bem tradicionais, como cerâmicas e incenso — a Shoyeido, por exemplo, merece atenção. Quem curte o lado mais pop da cultura japonesa não vai ficar decepecionado. O destaque vai para as duas lojas vizinhas inteiramente dedicadas aos personagens dos Studios Ghibli.


Sannenzaka: tropeçar ou cair na ladeira pode trazer consequências graves, segundo a lenda. (imagem: PhotoAC)

Aproveite o passeio também para provar algumas iguarias locais. Muitas lojas oferecem doces e petiscos. Aliás, os japoneses adoram dar comidinhas como lembrança de viagem. A Itoken x SOU SOU oferece opções coloridas e bem delicadas para comer — e beber — no local e, também, docinhos lindamente embalados para presente. Caso os petiscos não sejam suficientes, a região abriga uma série de restaurantes, com gastronomia local e internacional, que merecem a visita.


E não deixe, claro, de apreciar a Pagoda Yasaka (foto no início da reportagem). Datada de 1408, a construção é considerada a torre de madeira mais antiga ainda de pé em Kyoto e é a única estrutura remanescente do Hokan-ji, um templo inaugurado no século 7.


14:00, beco sem saída

Em Tóquio é comum encontrarmos os yokocho, vielas cheias de bares, muitas vezes com a fachada toda aberta, onde é possível ver os comensais ao balcão e os cozinheiros preparando os pratos à sua frente. Já em Kyoto, o mais comum são os roji, becos sem saída, como os antigos cortiços, geralmente formados por pequenas casas e uma área aberta e estreita em comum.


Hoje em dia, muitos desses "becos" estão se transformando em espaços comerciais e o Ajiki Roji, também em Higashiyama, é especial já que a proprietária aluga os espaços a baixo custo, com o intuito de incentivar artistas e artesãos que estão começando em suas carreiras. Cada porta esconde uma surpresa e abri-las pode ser intimidativo até mesmo para os locais. Mas não tenha medo porque a garantia é de que os encontros serão únicos.


São diversas lojas. A Suzumeya, por exemplo, faz encadernação de cadernos, diários e blocos a mão. Já o Gajumaru é o ateliê da ilustradora Kitamaki, que comercializa suas obras no local. O En, por sua vez, é o ateliê da pintora e cantora Aoi Kanda. Já o Mochizuki, da artista Megumi Mochizuki, é dedicado à arte do kirigami, obras produzidas através de delicados cortes em papel.


Sorvete da Picaro Eis com o Ajiki Roji ao fundo. (foto: Meg Yamagute)

Também escondida no meio do Ajiki Roji está a Picaro Eis, uma sorveteria com misturas altamente inspiradas e que produz alguns sorvetes inusitados, combinando especiarias com sabores tradicionais japoneses. Só não é possível sugerir aqui um sabor para provar porque todo dia parece ter algo novo por lá. Então, confira o menu.


15:30, apreciação da vida

Peça alguns sorvetes para levar (¥500/copo) e desfrute-os como os locais, à beira do Rio Kamo, enquanto vê o povo se encontrando e compartilhando comidas e bebidas, as crianças brincando e pessoas de todas as idades se exercitando ou tocando algum instrumento musical. Aqui, a vida passa mais devagar enquanto o rio corre.


16:30, compras à moda antiga

Siga pela margem do Rio Kamo até a Ponte Sanjo. Ali, volte para o nível da rua e se aventure pelos shotengai, as ruas comerciais cobertas, que lembram os calçadões do Brasil e têm um pouco de tudo. Um dos mais populares é o de Teramachi, onde é possível encontrar, dentre muitas outras coisas, sebos com livros de ilustração belíssimos, mapas e ukiyo-e, as gravuras japonesas.


Conservas típicas japonesas à venda no Mercado de Nishiki. (imagem: PhotoAC)

Conectado ao shotengai de Teramachi fica o Mercado de Nishiki, conhecido como "A Cozinha de Quioto". Ali você tem a oportunidade de provar um pouco de tudo, já que muitas das lojas vendem, em pequenas unidades, os mais variados petiscos, de polvo no palito recheado com ovo de codorna a sorvete com cobertura de yuzu e mel. Se você gosta de cozinhar, aqui também é possível encontrar os ingredientes mais importantes da culinária japonesa como a pasta de soja missô, o molho de soja shoyu e bonito seco em lascas e pedaços, além de facas de boa qualidade.


18:00, jantar

Já quase no finzinho (ou começo) do Mercado Nishiki, o Omo Café é uma boa opção para jantar, com mesas e cadeiras regulares no primeiro andar e mesas baixas sobre o tatami no segundo, para quem prefere relaxar de pés descalços e sentado em almofadas. O menu oferece pratos combinados bem balanceados com carne, peixe ou frango e muitos vegetais, além de opções a la carte. Pratos combinados a partir de ¥1800.


19:30, viagem de sabores

"Não é para qualquer um". É com essa mensagem que o Nokishita711 convida os clientes para experimentar o que o bar chama de "culinária líquida". A experiência é para fechar a noite de maneira inesquecível. A proposta deste pequeno espaço, com 8 banquetas e área para mais algumas pessoas beberem de pé, é preparar coquetéis em que bebidas alcoólicas como gim, rum e tequila não são os protagonistas.


Vísceras de peixe-doce (ayu) com pimenta shichimi, um dos drinques do Nokishita711 (reprodução)

O desafio do barman Tomoike Sekine no preparo de suas bebidas é extrair o melhor de ingredientes como peixe, carne, especiarias, frutas e outros vegetais. Com tantas misturas inusitadas, a melhor maneira de curtir as criações de Sekine é pedir o menu all you can drink (¥4,000/1,5 hora) e se preparar para uma viagem de sabores, em que uns coqueteis irão agradar mais do que outros. E não se preocupe. Os drinks não são tão fortes e o objetivo do menu é a experiência com sabores sem encher a cara. A reserva é obrigatória e pode ser feita pelo site.


Domingo

8:00, além da Floresta de Bambu

Comece o dia cedo, visitando o Otagi Nembutsuji (¥300), no horário em que ele abre. O templo fica num bairro conhecido como Saga e que fica a poucos quilômetros de distância de Arashiyama, região adorada pelos turistas por causa da Floresta de Bambu. É possível chegar lá de ônibus, a partir da estação Hankyu-Arashiyama, de onde um carro das linhas 62, 72 ou 92 parte às 7:40 da manhã, na direção Kiyotaki. (Antes de seguir viagem, confira os horários na página da operadora, em japonês.)


Se você vier de JR, a estação será Saga-Arashiyama e é preciso fazer uma caminhada até o ponto Arashiyama Tenryujimae, que fica em frente ao templo Tenryuji e à estação do bonde operado pela Randen. Ali o ônibus das mesmas linhas passa às 7:43. Em ambos os casos, a tarifa custa ¥230 e deve ser paga em dinheiro, cartão de transporte ou com o Kyoto Bus One Day Pass (¥700). Se parecer complicado, sempre tem a opção de pegar um táxi (¥1000, a partir da estação Saga-Arashiyama). De qualquer modo, quanto mais cedo você chegar, maior é a chance do templo ser só seu.


Mais de mil estátuas de discípulos de Buda em poses diferentes. (foto: Meg Yamagute)

No Otagi Nembutsuji é possível encontrar 1200 imagens de rakan, os discípulos de Buda. As estátuas foram esculpidas por gente comum que resolveu se unir aos esforços de Nishimura Kocho, o responsável pelo local que, junto com o filho, iniciou uma ação de revitalização do templo, nos anos 1980.


Ao contrário das imagens cristãs, que quase sempre têm expressões sofridas, os rakan do templo aparecem em posições mais relaxadas e divertidas, ouvindo música num walkman, abraçando o colega do lado, de ponta-cabeça... Boa parte da diversão no espaço é ficar apreciando as estátuas que, além de tudo, ficaram ainda mais charmosas com a ação do tempo e da umidade. Ah, o visitante também pode tocar o sino e fazer uma oração. Afinal, estamos num templo, né?


9:30, ladeira do tempo

Partindo do Otagi Nenbutsuji, a caminhada ladeira a baixo é mais um passeio pelo túnel do tempo. Estamos na Área de Preservação de Saga Toriimoto, com suas grandes casas rurais de telhados de palha. Algumas delas hoje são cafés, lojas de cerâmica e restaurantes. A poucos metros do templo, numa bifurcação, fica o Ichinotorii, um grande portal vermelho. Atrás dele está o Hiranoya, uma casa de chá e restaurante com 400 anos de história.


Portal Ichinotorii e Hiranoya, casa de chá de 400 anos. (foto: Meg Yamagute)

A existência do portal está conectada a uma antiga relação da casa com o Santuário Atago. Diz-se que os peregrinos paravam no local para comer o shinko, um doce feito com farinha de arroz glutinoso. O reforço nutricional para a subida até o santuário é servido até os dias de hoje, acompanhado de matchá — o chá verde em pó — e coberto com kinako, a farinha de soja torrada (¥880).


Após o desjejum, continue a descida e aproveite para apreciar as antigas residências e fazer outras descobertas, como o templo Adashino Nembutsu-ji (¥500), conhecido por ter uma floresta de bambu particular.


11:00 am, mansão cinematográfica

Em 30 minutos de caminhada é possível chegar num dos pontos mais subestimados de Arashiyama, o Okochi Sanso, uma casa com jardim magnífico, projeto de aposentadoria do famoso ator do cinema mudo japonês Denjiro Okochi. Foram 30 anos de trabalho no projeto, incluindo o paisagismo do jardim que é rico em detalhes e pensado para "brilhar" nas quatro estações.


Outono no jardim do Okochi Sanso, (imagem: Photo AC)

Trata-se, sem dúvida, de um dos mais belos jardins de Kyoto. A entrada custa ¥1000, incluindo o serviço de matchá com um doce tradicional para acompanhar (mais um, por que não?), combinação perfeita para apreciar esse local com tão poucos visitantes.


Bem próxima à casa fica a famosa Floresta de Bambu de Arashiyama, um dos cartões-postais de Kyoto. Caminhe ladeira abaixo por entre os fachos de luz que escapam entre os bambus. A visão tem até um nome em japonês, komorebi. Na entrada (ou será saída?) da floresta fica uma dos portões do Tenryuji (¥500) — que é Patrimônio da Humanidade e tem um jardim excepcional. Mais a frente está o simpático Santuário Nonomiya.


12:30, almoço no jardim

Seguindo o passo de atividades ao ar livre em Arashiyama, nada melhor do que almoçar no Bread, Espresso & Arashiyama Garden, um café aberto em 2019 na antiga residência da família Kobayashi, uma construção de 210 anos de história, tombada como Patrimônio Cultural pela cidade de Kyoto. Com sorte, grupos de até 3 pessoas podem sentar às mesas externas e almoçar curtindo o jardim que se transforma com as estações.


Pudim de leite do Bread, Espresso & Arashiyama Garden. (foto: Meg Yamagute)

Há opções de brunch (a partir de ¥1200) com sanduíches, que também podem ser servidos a la carte (a partir de ¥800), além de doces. O pudim de leite (¥550/foto), por exemplo, chega quentinho e é uma delícia.


14:00, despedida no rio

Arashiyama fica no vale do Rio Hozu. Da Ponte Togetsu é possível ter uma bela vista da montanha que dá nome ao bairro. A imagem é uma das mais encantadoras de Kyoto em qualquer época do ano mas, especialmente, no outono.


Barquinhos no Rio Hozu, em Arashiyama. (foto: Meg Yamagute)

Uma das opções é curtir a paisagem de dentro do rio. Botes estão à disposição para locação (¥1500/hora para até 3 pessoas). Dali, a vista do vale é impressionante. Poucos lugares são mais significativos para encerrar um fim de semana em Kyoto.

 

Neta de japoneses, Meg Yamagute vem descobrindo, desde que chegou ao Japão em 2006, o sentido de muitas tradições adotadas por sua família. Como guia turística compartilha suas descobertas em tours incríveis.

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