Uma imersão na história de Tóquio
- Roberto Maxwell

- há 16 horas
- 3 min de leitura
De volta depois de quatro anos, o Museu Edo-Tokyo é opção para quem quer mergulhar na história da capital japonesa

Eficiente e organizada, Tóquio é o centro de uma das maiores zonas urbanas do planeta. Trens pontuais, ruas limpas e quase sem grandes congestionamentos — a capital japonesa impressiona. Isso sem falar na população educada a ponto de esperar o sinal abrir em uma travessia deserta do mesmo modo que o faria no abarrotado Cruzamento de Shibuya.
É impossível que um visitante não se pergunte como se desenvolve uma metrópole assim.
Se você, como eu, já se fez essa pergunta, pode encontrar um caminho para a resposta no Museu Edo-Tokyo. Fechado para reformas por quatro anos, o espaço oferece uma experiência que aposta na imersão. Entre maquetes extremamente detalhadas e reproduções em escala real de espaços públicos e privados, o museu transforma o visitante em observador do passado da metrópole.
Dividido por uma ponte, o espaço destrincha a evolução urbana da capital japonesa em duas partes. No lado Edo, observamos o desenvolvimento da cidade durante o Xogunato Tokugawa, período entre os séculos XVII e XIX em que os samurais impunham a ordem. A organização que vemos hoje tem raízes nessa época e pode ser percebida nas reproduções das casas de artesãos e comerciantes.

Edo é o antigo nome de Tóquio, e foi daqui que o clã Tokugawa decidiu isolar o Japão do mundo e controlar o país sob o jugo da espada por um período de paz de quase 270 anos — tempo suficiente para transformar uma antiga vila de pescadores em um centro urbano comparável à capital imperial, Kyoto. Contraditoriamente, o pulso firme dos comandantes militares fez florescer as artes e muitos dos costumes que os japoneses mantêm até hoje.
Um dos destaques desta seção do museu é a área “Estéticas de Edo”, onde as pinturas no estilo ukiyo-e mostram como a arte contribuiu para a construção de uma imagem da cidade.

A Iluminação
Apesar da estabilidade promovida pelo xogunato, o fechamento do país fez com que o Japão chegasse ao final do século XIX em desvantagem tecnológica em relação ao Ocidente. Em 1868, o imperador retoma o controle político do país e promove uma ampla reabertura, que culmina na transferência da capital para Edo, então rebatizada como Tóquio — “Capital do Leste”. As transformações da Restauração Meiji em diante estão na segunda metade da exposição permanente, dedicada à Tóquio moderna.
Ao longo da exibição, é possível acompanhar como novas técnicas e comportamentos moldaram a vida na cidade. Veículos de tração animal e humana dão lugar aos automóveis, com exemplares históricos expostos. Tecnologias como telefone, refrigerador e televisão ajudam a ilustrar a velocidade com que Tóquio se modernizou ao longo do século XX.

Neste pavilhão, um dos destaques é a seção dedicada à reconstrução da metrópole após o Grande Terremoto de 1923. A reprodução de uma unidade do conjunto habitacional popular Dōjunkai Daikanyama Apartments, construída em concreto e com tecnologias resistentes a terremotos, evidencia uma mudança radical na forma de morar na cidade.
Como a exposição permanente é extensa — e o museu promete uma programação ainda mais variada — vale se organizar para uma visita de pelo menos três horas, incluindo uma pausa para refeição. O espaço abriga o restaurante Koyomi, com menu sazonal inspirado na gastronomia local, além do café Ippuku.
Se a ideia for aprofundar ainda mais, a biblioteca do sétimo andar reúne cerca de 290 mil itens, incluindo microfilmes, capazes de satisfazer a curiosidade de quem se interessa por história e urbanização. Ao sair do prédio futurista projetado por Kiyonori Kikutake, é difícil não perceber: a cidade lá fora continua a mesma — mas a forma de olhar para ela já mudou.

SERVIÇO
Museu Edo-Tokyo Espaço com extensa exposição sobre a formação de Tóquio Tokyo-to Sumida-ku Yokoami 1-4-1 [mapa]
¥800 (adultos), com descontos e gratuidade para grupos específicos Aúdio-guide disponível em português





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