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Uma imersão na história de Tóquio

De volta depois de quatro anos, o Museu Edo-Tokyo é opção para quem quer mergulhar na história da capital japonesa


Encenação de perfomance no estilo antigo japonês
Pavilhão destacando os distritos de entretenimento de Edo (foto: Roberto Maxwell)

Eficiente e organizada, Tóquio é o centro de uma das maiores zonas urbanas do planeta. Trens pontuais, ruas limpas e quase sem grandes congestionamentos — a capital japonesa impressiona. Isso sem falar na população educada a ponto de esperar o sinal abrir em uma travessia deserta do mesmo modo que o faria no abarrotado Cruzamento de Shibuya.

É impossível que um visitante não se pergunte como se desenvolve uma metrópole assim.

Se você, como eu, já se fez essa pergunta, pode encontrar um caminho para a resposta no Museu Edo-Tokyo. Fechado para reformas por quatro anos, o espaço oferece uma experiência que aposta na imersão. Entre maquetes extremamente detalhadas e reproduções em escala real de espaços públicos e privados, o museu transforma o visitante em observador do passado da metrópole.


Dividido por uma ponte, o espaço destrincha a evolução urbana da capital japonesa em duas partes. No lado Edo, observamos o desenvolvimento da cidade durante o Xogunato Tokugawa, período entre os séculos XVII e XIX em que os samurais impunham a ordem. A organização que vemos hoje tem raízes nessa época e pode ser percebida nas reproduções das casas de artesãos e comerciantes.


Modelo de edifício japonês tradicional com lanternas vermelhas e placas de madeira com inscrições. Ambiente em um espaço fechado.
Reprodução do antigo teatro de Kabuki, Nakamura-za  (foto: Roberto Maxwell)

Edo é o antigo nome de Tóquio, e foi daqui que o clã Tokugawa decidiu isolar o Japão do mundo e controlar o país sob o jugo da espada por um período de paz de quase 270 anos — tempo suficiente para transformar uma antiga vila de pescadores em um centro urbano comparável à capital imperial, Kyoto. Contraditoriamente, o pulso firme dos comandantes militares fez florescer as artes e muitos dos costumes que os japoneses mantêm até hoje.

Um dos destaques desta seção do museu é a área “Estéticas de Edo”, onde as pinturas no estilo ukiyo-e mostram como a arte contribuiu para a construção de uma imagem da cidade.


Bonecos em um quarto japonês, uma mulher lava um bebê em uma bacia de madeira, dois observam, roupa azul pendurada na parede.
Nascimento de um bebê na antiga Edo  (foto: Roberto Maxwell)

A Iluminação

Apesar da estabilidade promovida pelo xogunato, o fechamento do país fez com que o Japão chegasse ao final do século XIX em desvantagem tecnológica em relação ao Ocidente. Em 1868, o imperador retoma o controle político do país e promove uma ampla reabertura, que culmina na transferência da capital para Edo, então rebatizada como Tóquio — “Capital do Leste”. As transformações da Restauração Meiji em diante estão na segunda metade da exposição permanente, dedicada à Tóquio moderna.


Ao longo da exibição, é possível acompanhar como novas técnicas e comportamentos moldaram a vida na cidade. Veículos de tração animal e humana dão lugar aos automóveis, com exemplares históricos expostos. Tecnologias como telefone, refrigerador e televisão ajudam a ilustrar a velocidade com que Tóquio se modernizou ao longo do século XX.


Carro antigo preto com placa 16.305 em exibição. Ao fundo, bomba de gasolina vermelha vintage. Ambiente de exposição interior.
Veículos vindos do ocidente compuseram o cenário da Tóquio pós Restauração Meiji  (foto: Roberto Maxwell)

Neste pavilhão, um dos destaques é a seção dedicada à reconstrução da metrópole após o Grande Terremoto de 1923. A reprodução de uma unidade do conjunto habitacional popular Dōjunkai Daikanyama Apartments, construída em concreto e com tecnologias resistentes a terremotos, evidencia uma mudança radical na forma de morar na cidade.


Como a exposição permanente é extensa — e o museu promete uma programação ainda mais variada — vale se organizar para uma visita de pelo menos três horas, incluindo uma pausa para refeição. O espaço abriga o restaurante Koyomi, com menu sazonal inspirado na gastronomia local, além do café Ippuku.


Se a ideia for aprofundar ainda mais, a biblioteca do sétimo andar reúne cerca de 290 mil itens, incluindo microfilmes, capazes de satisfazer a curiosidade de quem se interessa por história e urbanização. Ao sair do prédio futurista projetado por Kiyonori Kikutake, é difícil não perceber: a cidade lá fora continua a mesma — mas a forma de olhar para ela já mudou.


Museu Edo-Tokyo com fachada moderna e escadaria em primeiro plano. Arranha-céus e árvores ao fundo. Texto em japonês visível.
Fachada do Museu Edo-Tokyo  (foto: Fujino Hiro/PhotoAC)

SERVIÇO

Museu Edo-Tokyo Espaço com extensa exposição sobre a formação de Tóquio Tokyo-to Sumida-ku Yokoami 1-4-1 [mapa]

¥800 (adultos), com descontos e gratuidade para grupos específicos Aúdio-guide disponível em português

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