Quem foi Jun’ichiro Tanizaki?

Finalista do Prêmio Nobel e aclamado em vida, autor disseca em suas obras as contradições morais de um país em transformação


Tanizaki em 1951, em foto publicada no livro "Showa Literature Series: Vol.31" (editora Kadokawa)

Jun’ichiro Tanizaki nasceu em 1886, bem no meio de um período de fortes mudanças na sociedade japonesa: a Restauração Meiji. O país que ele conheceu tinha um dilema: acompanhar as evoluções tecnológicas e sociais desenvolvidas no ocidente, ao mesmo tempo que buscava definir sua própria identidade cultural.


Tanizaki nasceu numa família abastada de mercadores de Nihonbashi, um distrito com forte apelo comercial, considerado o centro nervoso de Tóquio, já então a maior metrópole do planeta. Um de seus tios era proprietário de uma gráfica e seu contato com a leitura se deu logo cedo.


A família Tanizaki foi fortemente afetada pelo terremoto que devastou Tóquio em 1894. Ainda assim, o jovem Jun’ichiro frequentou um dos mais importantes colégios da capital japonesa. Em seguida, começou a cursar Literatura na Universidade Imperial de Tóquio, a mais conceituada do país.


Tanizaki em 1908, com Inazo Nitobe, diretor da instituição onde o então futuro autor fez o colegial (fonte: Wikipedia)

Foi na faculdade que Tanizaki começou a publicar seus escritos. Seu primeiro trabalho a chegar a um público mais amplo foi A Tatuagem (Shisei/1910). Definida como uma história de sensualidade sombria, a obra traz temas que serão característicos da sua primeira fase de produção literária: o erotismo, o sadismo e o grotesco.


A queda do poder aquisitivo da família levou o futuro autor a deixar a universidade após três anos de curso. No entanto, sua carreira literária começava a deslanchar. Tanizaki chegou, também, a trabalhar para um estúdio cinematográfico, enquanto vivia uma vida boêmia em Yokohama, cidade próxima a Tóquio, com forte influência europeia.


Logo depois do Grande Terremoto de Kanto, em 1923, Tanizaki se mudou para Kyoto. Seus interesses se voltaram para o conflito entre as tradições japonesas e a forte influência ocidental que o país vivia. Voragem (Manji/1928) é desta época e conta a história de uma jovem casada que vive um tórrido romance com uma colega de um curso de arte.


Ayako Wakao e Gaku Yamamoto na primeira adaptação cinematográfica de "Shisei", em 1966.

No pós-guerra, Tanizaki já é um autor consagrado, tendo recebido alguns dos mais importantes prêmios literários do Japão. Seus trabalhos passam a se focar em questões da terceira idade, inclusive a sexualidade. Escrita em forma de diário, A Chave (Kagi/1956) é uma obra representativa da época e conta a história de um homem mais velho que decide apimentar o casamento envolvendo a esposa mais nova numa situação de adultério.


Tanizaki questiona o impacto da modernização do país na estética japonesa no ensaio Em Louvor da Sombra (In’ei Raisan/1933). A arquitetura, dentre outros pontos, é usada para provar como a sombra é um elemento central na estética japonesa. Marina Lacerda, arquiteta, parte desta obra no curso Em louvor da sombra: tensões entre tradição e modernidade na arquitetura japonesa para propor uma reflexão sobre tradição e modernidade no país.


SERVIÇO

Em louvor da sombra: tensões entre tradição e modernidade na arquitetura japonesa

curso com Marina Lacerda

datas: 16, 23 e 30 de novembro

horário: 20 às 22 horas (horário de Brasília)

preço: R$257 (¥5500, no Japão)

desconto de 10% para leitores da Tokyo Aijo (use o cupom tokyoaijo10 no ato da inscrição)

inscrições: momonoki.byinti.com


Em louvor da sombra

ensaio de Jun'ichiro Tanizaki

tradução: Leiko Gotoda

editora: Penguin Companhia

72 páginas

preço: R$32,90

mais informações: www.companhiadasletras.com.br



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