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Cinco pontos para você ver a floração das cerejeiras em Tóquio

A cada primavera, as cerejeiras em flor atraem locais e visitantes com o mesmo entusiasmo aos parques toquiotas


Barcos com pessoas remando sob cerejeiras floridas em um rio. Céu azul, edifícios ao fundo. Cena tranquila e colorida.
Chidorigafuchi, o fosso do Palácio Imperial de Tóquio (foto: Carlos Kato)

Sublime e exuberante ao mesmo tempo, a floração das cerejeiras renova o fascínio do público ano após ano. Em Tóquio – e em boa parte do Japão – o pico costuma ocorrer no início de abril, colorindo a paisagem e servindo, diga-se, de um belo pretexto para colocar a cara na rua depois do inverno.


O hábito de observar as cerejeiras em flor, ou sakura, surgiu na antiga capital, Kyoto, e teve início com a nobreza e a aristocracia. Registros do século 8 falam das flores como uma oferta dos deuses, enquanto relatos do século 9 descrevem uma festa do imperador Saga sob a sombra dessas árvores.


No entanto, foi em Tóquio que o programa se difundiu entre as camadas populares. Desde que se estabeleceu o último xogunato, no início do século 17, o plantio das cerejeiras fez parte do projeto de embelezamento de Edo – como a capital japonesa era conhecida. Assim, o hanami (literalmente “observação das flores”) começaria a ganhar o apelo que tem hoje.

A simbologia que envolve as cerejeiras é ampla: a curta florada de uma semana representa para muitos a epítome da impermanência. Ao perderem suas pétalas no auge, as cerejeiras nos ensinam como a vida é fugaz. Esse sentimento quase melancólico é relacionado ao mono no aware, a consciência das coisas e da sua finitude. Além disso, ao desabrochar tão belamente no início da primavera, a flor anuncia o início de um novo ciclo. Em um país com as quatro estações definidas e uma cultura agrícola enraizada, a passagem do tempo tende a respeitar a lógica da natureza.


Há quem diga, porém, que o encontro com os amigos, regado a quitutes e bebidas seria o verdadeiro propósito do hanami – hana yori dango, “a comida acima das flores”, como diz o ditado. Confortados pela temperatura amena, os toquiotas estendem suas lonas nos parques, sozinhos ou em grupo, e muitas vezes confraternizam com um piquenique sob as cerejeiras.


Com fotos de Carlos Kato, selecionei para você cinco excelentes pontos da metrópole para apreciar a beleza das cerejeiras e curtir o momento único.


PARQUE DE SUMIDA

Pessoas caminham sob cerejeiras em flor em um parque. Um homem empurra uma bicicleta. Bandeiras rosas enfeitam o cenário. Atmosfera tranquila.
Parque Sumida, um dos mais antigos pontos públicos de observação das cerejeiras (foto: Carlos Kato)

Um dos pontos mais antigos de observação das cerejeiras em Tóquio, o parque às margens do Rio Sumida é um testemunho da história da urbanização da capital. Idealizado pelo xogum Tokugawa Yoshimune, a área com mais de 500 cerejeiras foi criada como uma espécie de barreira para evitar as cheias do rio.


NAKA-MEGURO

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Canal com cerejeiras em flor iluminadas à noite, ponte vermelha ao fundo, luzes refletidas na água criam atmosfera serena e mágica.
Rio Meguro à noite, elegância na observação das cerejeiras (foto: Carlos Kato)

Canalizado, o Rio Meguro poderia ser apenas um adendo na paisagem de um dos bairros mais hype de Tóquio. Mas as cerejeiras plantadas nas duas margens formam uma das mais icônicas paisagens de primavera na metrópole. Por ser altamente urbanizada, a área não é adequada para um piquenique – o que faz com que o hanami por aqui seja empunhar tacinhas de espumante rosé enquanto se caminha sob as árvores.


SHINJUKU GYOEN

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Pessoas relaxam em um parque sob cerejeiras floridas. Céu nublado, árvores rosadas ao centro e edifício cinza ao fundo. Atmosfera tranquila.
Piquenique no Parque Shinjku Gyoen (foto: Carlos Kato)

Em uma área de cerca de 60 hectares, trata-se de um dos mais belos parques de Tóquio. Os mais de mil pés de cerejeira de diferentes espécies florescem em épocas distintas, o que faz com que o parque atraia um grande número de visitantes ao longo das semanas de floração. Afora as cerejeiras, o local abriga dois jardins ocidentais, um jardim japonês e uma estufa com flores tropicais. Na primavera, a entrada custa ¥500 (7 às 18h).


PARQUE ASUKAYAMA

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Pessoas passeiam sob cerejeiras floridas em um caminho com ladrilhos. Duas pessoas caminham, uma empurra uma bicicleta. Ambiente tranquilo.
Pouco procurado por turistas internacionais, o Parque Asukayama (foto: Carlos Kato)

Localizado em uma colina em Oji, norte da metrópole, o parque ajuda a contar a história do hanami entre os toquiotas. Também fundado pelo xogum Tokugawa Yoshimune, tem cerca de 600 cerejeiras e atrai majoritariamente locais, pois está em uma área pouco visitada por turistas. Pessoas com mobilidade reduzida podem usar, gratuitamente, um pequeno monotrilho que leva até o alto.


SENGAWA

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Corredor de cerejeiras sobre a ponte do Sengawa
Casual, o passeio às margens do Rio Sen é um hanami local (foto: Carlos Kato)

Um dos mais belos lugares para apreciação das cerejeiras em Tóquio é, talvez, um dos menos conhecidos. O estreito canal fica em Seijo, região famosa por abrigar os Estúdios Toho, uma das mais importantes companhias cinematográficas do Japão. Logo na entrada fica uma estátua de um de seus maiores ídolos, Godzilla, escoltada por duas enormes cerejeiras. A poucos metros dali, as árvores às margens do canal são apreciadas principalmente por moradores das redondezas.


Roberto Maxwell é guia e consultor de turismo na Tabiji. Para conhecer o trabalho dele, acompanhe o Instagram @robertomaxwell.


Carlos Kato é formado em engenharia, hoje atua como guia turístico e trocou o Brasil pelo Japão em 2016. Desde então, aventura-se por restaurantes e becos sempre em busca de novos sabores e de uma boa foto. Algumas delas você pode ver no Instagram @chkato.


Este texto é oferecido pela Tabiji. Quer ideias fora da caixa para a sua viagem? Faça uma consultoria com o Roberto Maxwell pela Tabiji. Marque a sua já tocando no banner.



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