O chá como experiência restauradora

Na Sakurai Japanese Tea Experience, as tradições do chá são revisitadas por um ex-barman tornado mestre


O mestre de chá Shinya Sakurai (foto: Roberto Maxwell)

com Omri Reis


Quando se pensa em casa de chá, é inevitável vir à cabeça a ideia de uma casinha antiga, com piso de palha de arroz no estilo tatâmi. Uma visão idílica que, para boa parte dos ocidentais, explode como uma bolha de sabão no ar quando nos lembramos que, para entrar em lugar tão especial, temos que cumprir uma série de rituais, incluindo nos sentar na desconfortável posição de seiza, que exige sustentar o corpo sobre os joelhos e as pernas.


Tudo isso está muito longe da experiência oferecida pelo mestre de chá Shinya Sakurai em seu espaço no sofisticado bairro de Aoyama, em Tokyo. Na Sakurai Japanese Tea Experience, o visitante se senta num elegante balcão. A própria imagem do anfitrião está longe da ideia que temos de um mestre de chá. A aparência jovem, o corte de cabelo da moda: tudo dá sensação de ser estar num bar cheio de hype, que podia muito bem ser em Nova Iorque ou Londres. Aliás, a impressão não vem de forma gratuita. “Já fui barman”, conta Sakurai, que foi se apaixonando pelos sabores do chá e pelo delicado equilíbrio entre umami e amargor, até que decidiu estudar a folha e mudar de carreira.


“Faço o serviço sentado em uma cadeira e os clientes se sentam no balcão, como se fosse um bar”, conta Sakurai. Mas não se engane. Não se trata de nenhuma subversão à arte do chá. “Este é um estilo de serviço que existe desde antigamente e se chama ryurei-shiki”, conta ele. Tudo o que vem depois que se senta naquele balcão deixa às claras as quase duas décadas de experiência (e reverência) de Sakurai no universo do chá. Os movimentos lentos, quase coreografados, respeitam o tempo dos ingredientes: a água precisa estar na temperatura certa, o chawan também. Cada tipo de chá tem um tempo de infusão para alcançar o balanço perfeito de sabores. No balcão, todo projetado no estilo chinês em que a água corrente e o processo de lavagem dos utensílios ficam visíveis aos comensais, o que acontece é uma verdadeira ode ao tempo, representado por uma elegante ampulheta.


Cada momento da passagem do chá é rigorosamente cronometrado (imagem: Roberto Maxwell))

Quando não está na casa de chá, Sakurai percorre o país em busca dos melhores produtos para oferecer aos seus clientes. Ele têm chás de diversas regiões do Japão, os quais podem ser servidos no balcão ou levados para casa. Além disso, ele faz na casa o processo de torragem de uma das variedades servidas no local, um trabalho que deixa um cheiro maravilhoso para quem visita o ambiente logo pela manhã, seja para uma copa de chá (a partir de ¥1400), seja para o menu degustação com cinco variedades (a partir ¥4800). De uma maneira ou de outra, recomenda-se provar o, um dos tipos de chá mais refinados do Japão, cujas folhas são cultivadas à sombra para oferecer menos amargor e mais umami. Quem quiser ainda pode experimentar os drinks com chá preparados pelo ex-barman.


Chás de todo o país são servidos na casa. (foto: Roberto Maxwell)

“No passado, o chá era tido como um remédio”, conta o mestre Sakurai. É possível estender a ideia à casa de chá, que pode ser vista como um espaço de cura. Neste sentido, o Sakurai Japanese Tea Experience é um spa de altíssimo luxo, em que cada copa de chá serve como uma bela massagem no corpo e na alma.

Assista o vídeo com parte da entrevista com o mestre Shinya Sakurai.


Serviço

Sakurai Japanese Tea Experience

Tokyo-to Minato-ku Minami Aoyama 5-6-23 [mapa]

www.sakurai-tea.jp (em japonês)

11 às 20 horas

Omri Reis é um profissional de criação baseado em Tóquio.

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